Em junho, publiquei neste site uma coluna intitulada “Nordestinho x Nordestão: uma distinção necessária”[1], na qual apontei algo que deveria ser uma obviedade, mas que frequentemente passa batido no senso comum: a maioria dos títulos regionais conquistados pelo Vitória foi em edições esvaziadas – que eu chamo de Nordestinhos –, e não se pode atribuir a eles o mesmo peso que têm os cinco títulos do Bahia, que são todos de edições dignas do aumentativo Nordestão, pois foram invariavelmente plenas em competitividade, disputadas por todas as melhores equipes da região com suas respectivas forças máximas. Deste modo, afirmei que o Bahia permanece como o maior vencedor isolado da competição.
A caixa de comentários da publicação sobre a coluna no Instagram foi inundada por rubro-negros incomodados com as verdades que falei, muitos tentando contestá-las com mentiras e delírios. Aliás, não é de agora que observo a tendência entre torcedores do Vitória de negarem a realidade ou forjarem realidades que não existem, razão pela qual são conhecidos como “terraplanistas da bola”[2]. É até compreensível: como a realidade é dura demais para eles, então se refugiam em uma realidade paralela.
A questão é: o que nós, tricolores, devemos fazer diante desse expediente usado sistematicamente pela torcida rival? Desmenti-los ou simplesmente não levá-los a sério e ignorá-los? Eu considero que ambos os procedimentos são defensáveis, mas escolho a primeira opção, tendo em vista que “mentiras repetidas mil vezes viram verdades” e “quem cala consente”, conforme a sabedoria popular.
Portanto, decidi escrever a presente coluna, a fim de expor e desmascarar uma parte desses terraplanismos rubro-negros (sem a pretensão de esgotá-los, o que tornaria a coluna demasiadamente extensa; outros casos poderão ser abordados futuramente).
Vamos a eles!
TERRAPLANISMO 01: “Taça Cara ou Coroa”
A VERDADE:
Como o Vitória nunca conquistou e jamais conquistará um título na elite nacional, resta aos seus torcedores desqualificar os que foram conquistados pelo Bahia. E um dos expedientes utilizados para isso é chamar a Taça Brasil, cuja primeira edição (em 1959) foi conquistada pelo Bahia, de “Taça Cara ou Coroa”, sob a alegação de que houve confrontos decididos por sorteio ao longo da história da competição.
Trata-se de uma alegação risível por diversas razões.
Primeiramente, o sorteio como último critério de desempate em competições de futebol nunca deixou de existir e é amplamente empregado no mundo inteiro até os dias atuais. Vejamos o que diz o regulamento do Campeonato Brasileiro do corrente ano:
“Art. 15 – Em caso de empate em pontos ganhos entre 2 (dois) ou mais Clubes ao final do CAMPEONATO, o desempate, para efeito de classificação final, será efetuado observando-se os critérios abaixo.
1º) Maior número de vitórias;
2º) Maior saldo de gols;
3º) Maior número de gols pró;
4º) Confronto direto;
5º) Menor número de cartões vermelhos recebidos;
6º) Menor número de cartões amarelos recebidos;
7º) Sorteio.”[3]
Se a Taça Brasil era a “Taça Cara ou Coroa” porque previa o sorteio como último critério de desempate, então todas as edições do Campeonato Brasileiro são do “Campeonato Cara ou Coroa”. Do mesmo modo, a Copa do Mundo também era “Copa Cara ou Coroa” até 2022, pois o sorteio como último critério de desempate do torneio só deixou de existir em 2026, substituído pela posição no Ranking da FIFA[4]. Eu poderia trazer inúmeros outros exemplos, mas esses são suficientemente eloquentes para demonstrar a piada que é tentar desqualificar um torneio por ter o sorteio como último critério de desempate, quando isso é e sempre foi um procedimento amplamente usual nas grandes competições.
A Taça Brasil, de fato, teve ao longo de sua história alguns poucos confrontos decididos por sorteio, após a persistência do empate nas três partidas eliminatórias mais prorrogação, e a inexistência da disputa de pênaltis na época[5] contribuiu para isso. Do mesmo modo, o sorteio foi usado, por exemplo, para definir classificações na Copa do Mundo, Eurocopa, Copa América, Copa Africana, Copa dos Campeões da UEFA, Libertadores e Copa Mercosul, antes e depois do advento da disputa por pênaltis[6].
Entretanto, nenhum confronto do Bahia na Taça Brasil de 1959 foi resolvido no cara ou coroa, todos foram decididos dentro de campo. Mas, ainda que tivesse ocorrido, seria um fato normal e usual que em absolutamente nada desmereceria a conquista tricolor.
TERRAPLANISMO 02: “O Bahia se classificou contra o Sport na Taça Brasil de 1959 mesmo tomando 6×0. Não dá para levar um torneio desse a sério.”
A VERDADE:
O regulamento da Taça Brasil previa que, em cada confronto, se classificaria a equipe que somasse mais pontos nos dois jogos da eliminatória. Caso a pontuação fosse idêntica, o desempate se dava por meio de uma partida extra. O saldo de gols só entrava como critério de desempate caso o empate na pontuação persistisse até o fim da terceira partida.
O Bahia venceu a primeira partida das quartas de final daquela Taça Brasil contra o Sport por 3×2, na Fonte Nova. Na segunda partida, na Ilha do Retiro, foi surpreendido e goleado por 6×0. Em conformidade com o regulamento, disputou-se um terceiro jogo, novamente na Ilha do Retiro, e o Bahia venceu os pernambucanos por 2×0.
Em uma melhor de três – fórmula que diminui a chance de zebra se comparada a confrontos de um ou dois jogos –, o Bahia fez 4 pontos, contra 2 do Sport, e por isso se classificou de forma justa e meritória, inclusive jogando duas das três partidas no estádio do adversário. Vale frisar que, caso a terceira partida tivesse terminado empatada, ficando a pontuação empatada em 3×3, o Bahia teria sido eliminado no saldo de gols.
Nada havia de exótico ou bizarro nesse regulamento. Fórmulas muito similares a essa da Taça Brasil foram empregadas, por exemplo, nos mata-matas do Mundial Interclubes até 1968, da Copa Libertadores até 1987 e também dos Campeonatos Brasileiros de 1998 e 1999. Nesses três casos, como na Taça Brasil, a igualdade na pontuação das duas primeiras partidas ensejava um terceiro jogo, independentemente do saldo de gols[7].
Goste-se ou não dessa regra, ela era a regra, e, mais do que isso, foi empregada por várias décadas em competições de elevado prestígio, era lógica, clara, pouco propensa a zebras e seguia, ademais, um princípio básico e universal do futebol: a primazia da pontuação sobre o saldo de gols. Afinal, no Campeonato Brasileiro atual, quem fica à frente: quem fez 80 pontos e teve 20 gols de saldo ou quem fez 79 pontos e teve 50 gols de saldo? Ou, ainda, se dois clubes se enfrentaram seis vezes na história, com cinco vitórias de 1×0 para um lado e uma vitória por 6×0 para o outro, quem é freguês de quem?
TERRAPLANISMO 03: “O Bahia só eliminou o Sport na Taça Brasil de 1959 porque Osório levou os jogadores adversários para beber na véspera do terceiro jogo.”
A VERDADE:
Os torcedores do Vitória dizem embasar essa afirmação mentirosa no livro “Futebol, Paixão e Catimba” (1973), do ex-presidente do Bahia Osório Villas Boas, sendo que 99,9% dos rubro-negros que o citam nunca leram uma página sequer (voltaremos a ele mais adiante).
Na realidade, Osório não levou nenhum jogador do Sport para beber, muito menos na véspera da terceira partida do confronto. O que ocorreu foi que, após a goleada de 6×0 na segunda partida, os eufóricos jogadores do rubro-negro pernambucano foram comemorar em um bar de Recife. Osório se informou sobre onde a farra estava ocorrendo e foi até o local, onde os jogadores do Sport já estavam bebendo! O presidente tricolor, então, pagou algumas cervejas para os jogadores adversários e foi embora, sendo que, após isso, a farra continuou “na braba”, conforme as palavras do próprio Osório[8].
Portanto, 1) Osório não levou ninguém para beber, os jogadores do Sport foram por iniciativa própria, para comemorar a goleada aplicada, e beberam antes, durante e depois da presença de Osório no bar; 2) a farra se deu na noite de 30/10/1959 e a terceira e decisiva partida do confronto foi disputada apenas em 03/11/1959, três dias depois.
TERRAPLANISMO 04: “O Bahia ganhou no tapetão o título baiano de 1958 e a vaga na Taça Brasil de 1959.”
A VERDADE:
O Bahia conquistou o título dentro de campo, ganhando dois dos três turnos do campeonato e vencendo a finalíssima em partida única contra o Vitória por 1×0, gol de Geraldo. Em momento algum esses fatos foram questionados nem pelo Vitória nem por ninguém.
O que ocorreu foi que, na época da final, a Federação Bahiana vivia um racha, com duas pessoas diferentes (Bendocchi Alves e Augusto Carneiro) reivindicando sua presidência, e essa disputa foi parar nos tribunais. Assim, por razões meramente administrativas da Federação, totalmente alheias ao mérito do resultado com a bola rolando, o Bahia precisou aguardar quase dois meses até que o litígio fosse resolvido, seu título fosse homologado e a CBD confirmasse sua vaga na 1a Taça Brasil[9][10].
TERRAPLANISMO 05: “Pelé não jogou a final da Taça Brasil de 1959.”
A VERDADE:
Pelé jogou as duas primeiras partidas da final, ficando fora apenas da terceira, por contusão. Nessas duas partidas com a presença do Rei, o Bahia venceu uma e perdeu outra.
Contudo, vale destacar que aquele Santos foi um dos melhores times de todos os tempos do futebol mundial (quiçá o melhor) e tinha, para além de Pelé, craques como Pepe, Coutinho, Jair Rosa Pinto, Zito, Mauro, Formiga e Dorval[11][12]. E o Bahia o venceu em uma final nacional, com e sem Pelé, naquele que é o maior feito da história do futebol nordestino.
TERRAPLANISMO 06: “O Santos saiu em excursão internacional após o segundo jogo da final da Taça Brasil de 1959, o que demonstra que o torneio não tinha importância para o clube.”
A VERDADE:
A excursão santista apenas diz muito sobre a grande importância das excursões internacionais na época, que muito colaboraram, inclusive, para a fama mundial daquele Santos e de seu astro maior, Pelé, em um período no qual os meios de comunicação de massa eram incomparavelmente mais limitados e menos sofisticados do que hoje. Contudo, em nada diminui a relevância da Taça Brasil.
Os fatos históricos atestam que, sim, o Santos dava muita importância à Taça Brasil. Desde sua primeira edição, os alvinegros praianos a levaram muito a sério, sempre disputando-a com força máxima. Dessa forma, chegou a sete finais nas oito primeiras edições, conquistando cinco títulos consecutivos. Não é possível, diante desses dados, sustentar com seriedade que a competição não era importante para o Santos.
TERRAPLANISMO 07: “Só o Bahia tem estrela de Taça Brasil no escudo, porque nenhum outro clube liga para esse título.”
A VERDADE:
Cinco clubes foram campeões da Taça Brasil (1959-1968): Bahia, Palmeiras, Santos, Cruzeiro e Botafogo. Dois deles – Cruzeiro e Botafogo – não têm estrela de nenhum título, portanto, não se trata de uma desconsideração específica para com a Taça Brasil. Santos e Palmeiras, por outro lado, usam estrelas que representam, respectivamente, títulos mundiais e da Copa Rio (que o clube alviverde reivindica como mundial); observe-se, pois, que eles não têm estrela de nenhuma conquista nacional, nem mesmo dos Campeonatos Brasileiros a partir de 1971, de modo que aqui tampouco se trata de uma indiferença em relação especificamente à Taça Brasil.
Além disso, todos os clubes mencionados se orgulham e celebram ativamente suas conquistas na Taça Brasil[13][14][15][16][17].
TERRAPLANISMO 08: “O Vitória é o maior campeão isolado do Nordeste, porque os torneios regionais que o Bahia ganhou antigamente eram apenas fases da Taça Brasil.”
A VERDADE:
O próprio regulamento da Taça Brasil desmente essa afirmação. Vejamos:
“Art. 4o – O grupo Norte será formado pelas entidades do Norte e Nordeste e o grupo Sul pelas demais entidades.
Art. 5o – Disputar-se-á paralelamente a Taça Norte durante a realização dos jogos do grupo Norte.”[18]
Ou seja, o grupo Norte servia ao mesmo tempo como uma fase da Taça Brasil e como um torneio em si mesmo, a Taça Norte. Seu vencedor não apenas adquiria o direito de seguir adiante na competição nacional, como também ganhava um título regional. Foi o que o Bahia logrou em 1959, 1961 e 1963.
Ademais, o Bahia conquistou também o Torneio dos Campeões do Nordeste em 1948, em uma época na qual inexistia Taça Brasil ou qualquer outro campeonato nacional.
Portanto, se forem consideradas edições de torneios pré-1994, o Bahia tem nove títulos regionais, todos eles dignos de ser chamados de Nordestão, pois todos foram disputados contra todas as grandes equipes da região com suas respectivas forças máximas. Já o Vitória tem seis títulos, com a ressalva de que apenas dois seriam dignos de ser chamados de Nordestão: o de 1997 e o de 1999.
Já comentei aqui, na minha última coluna, as razões pelas quais as edições de 2003, 2010 e 2026 são Nordestinhos[1]. Acrescento que o Torneio José Américo de 1976, reivindicado pelo Vitória como título regional, também foi um Nordestinho, pelas mesmas razões que em 2026: foi um campeonato criado para preencher o vazio de calendário dos clubes que não se classificaram para a terceira fase do Campeonato Brasileiro daquele ano, razão pela qual foi chamado de “Torneio da Consolação”[19][20][21]. Por esse motivo, Bahia, Náutico e Santa Cruz, que haviam seguido adiante no Campeonato Brasileiro – ou seja, eram as melhores equipes nordestinas no momento –, não participaram da competição. Como o Nordestinho de 2026, o Torneio José Américo, 50 anos antes, foi disputado apenas por quem não conseguiu coisa melhor.
Portanto, por qualquer critério, é o Bahia o maior campeão regional isolado, pois, se contar tudo, o Bahia tem nove Nordestões, que valem mais que os dois Nordestões e os quatro Nordestinhos do Vitória; se contar apenas a partir de 1994, o Bahia tem cinco Nordestões, que valem mais que os dois Nordestões e os três Nordestinhos do Vitória. Simples assim.
TERRAPLANISMO 09: “Em 1988, o Bahia não ganhou o Campeonato Brasileiro, mas sim a Copa União, organizada pelo Clube dos 13.”
A VERDADE:
O Campeonato Brasileiro já teve muitos nomes oficiais ao longo de sua história: Taça Brasil (1959-1968), Torneio Roberto Gomes Pedrosa (1967), Taça de Prata (1968-1970), Campeonato Nacional de Clubes (1971-1974), Copa Brasil (1975-1979), Taça de Ouro (1980-1983), Copa Brasil (1984), Taça de Ouro (1985), Copa Brasil (1986-1988), Campeonato Brasileiro (1989-1999), Copa João Havelange (2000) e Campeonato Brasileiro (2001-presente), sem contar as diversas nomenclaturas que incluíram nomes de patrocinadores.
E a Copa União? Este foi o nome dado pelo Clube dos 13 ao Módulo Verde do Campeonato Brasileiro de 1987. Para a CBF, contudo, nunca houve um torneio chamado Copa União, pois mesmo a edição de 1987 foi batizada por ela como Copa Brasil, contemplando os Módulos Verde, Amarelo, Azul e Branco.
A edição de 1988 foi chamada oficialmente de Copa Brasil (não de Copa União), foi inteiramente organizada pela CBF e não envolveu o Clube dos 13, cuja participação na organização do Campeonato Brasileiro se limitou às edições de 1987 (Módulo Verde) e 2000.
De todo modo, se seguirmos esse critério surrealista de certos torcedores do Vitória, nenhum clube antes de 1989 poderia se reivindicar campeão brasileiro, pois o nome Campeonato Brasileiro só passou a vigorar naquele ano (com um breve intervalo em 2000). Isso é, evidentemente, mais um despautério dos refugiados em uma realidade paralela.
Por óbvio, todas as edições do Campeonato Brasileiro, com seus diversos nomes e diferentes organizadores desde 1959, têm o mesmo valor e designam os legítimos campeões brasileiros de seus respectivos anos. Quem está nesse rol, se orgulha; a quem não está, resta lutar para chegar lá um dia ou brigar com a realidade.
TERRAPLANISMO 10: “O Bobô citado na música Reconvexo, de Caetano Veloso, não é o jogador do Bahia, mas sim um personagem folclórico de Santo Amaro.”
A VERDADE:
Essa mentira desavergonhada já foi respondida pelo próprio Caetano Veloso em entrevista ao programa Resenha ESPN: “Bobô é uma das figuras mais lindas do futebol brasileiro. Com a delicadeza dele, a elegância, marcou um momento importante da nossa história e entrou na minha canção”[22].
TERRAPLANISMO 11: “Uma Série B em 2023 vale mais que uma Série A em 1988.”
A VERDADE:
Esse delírio foi reproduzido pelo próprio presidente do Vitória, Fabio Mota, em uma entrevista dada à CNN, nos seguintes termos: “O [título] da Série B de 23 [vale mais] porque foi um campeonato de pontos corridos, e o Vitória é o primeiro clube baiano de ganhar (sic) um campeonato de clubes corridos”[23].
Note-se que o próprio Fabio Mota comete um revelador ato falho, no final, ao dizer que ganhou um campeonato de “clubes corridos”. Essa é a única parte verdadeira da afirmação dele, pois, de fato, é isso que a Série B é: um campeonato dos clubes que nunca estiveram na elite do futebol brasileiro ou foram corridos de lá.
Na verdade, não há nada que torne uma competição por pontos corridos intrinsecamente superior a um torneio de mata-mata ou híbrido. Cada fórmula avalia méritos distintos e todas têm suas limitações. Ademais, as competições mais prestigiosas do futebol mundial nunca foram disputadas por pontos corridos: Copa do Mundo, Mundial de Clubes, Liga dos Campeões, Libertadores, Eurocopa e Copa América.
Mas, qualquer que seja seu regulamento, a Série A será sempre a elite do futebol nacional e terá a participação das melhores equipes do Brasil, enquanto a Série B sempre integrará a escória. O campeão da Série B é o 21o colocado do Campeonato Brasileiro ou o melhor entre os piores. Colocar uma estrela dourada (vulgo asterisco) por isso é um atestado de pequenez e uma confissão da própria incapacidade de conquistar um título na elite nacional. Até o ex-presidente do Vitória Paulo Carneiro, em um momento de lucidez, afirmou que “botar estrela de Série B é manchar a história do clube”[24].
A realidade dura de suportar, para os terraplanistas rubro-negros, é que o 16o lugar do Bahia no mesmo ano de 2023 valeu mais que o título da Série B do Vitória, pois, até onde sei, 16o fica acima de 21o. Em 2024, Thiago Carpini, então treinador do Vitória, afirmou que sua campanha na Série A daquele ano (11o lugar) era o maior título do Vitória nos últimos anos e que valia mais do que o título da Série B[25], e ninguém em sã consciência negaria que ele estava coberto de razão.
Ademais, para a própria CBF, um título do Nordestão vale mais que uma Série B e há um dado objetivo que comprova isso: o Vitória ganhou um prêmio de R$ 2,5 milhões de reais pelo título da Série B de 2023[26]; naquele mesmo ano, o Ceará ganhou R$ 6,4 milhões pelo título na Copa do Nordeste[27]. Já o Bahia, pelo seu 16o lugar no Brasileiro de 2023, ganhou R$ 16,2 milhões[28]. Esses dados dão a devida ordem de grandeza de cada feito e demonstram como a alegação de que um título de Série B valeu mais do que um de Série A, na época que for, é uma completa sandice.
TERRAPLANISMO 12: “Osório Villas Boas admitiu em um livro que vários títulos do Bahia foram comprados. O Bahia é um clube historicamente beneficiado.”
A VERDADE:
Como já dito anteriormente, 99,9% dos torcedores do Vitória que citam o livro de Osório o fazem sem jamais ter lido uma página sequer, mesmo porque, se tivessem lido o livro, não falariam as bobagens que falam.
Osório, em “Futebol, Paixão e Catimba”, não afirma ter cometido nenhum ilícito, nenhum ato de corrupção enquanto dirigente tricolor. Limita-se a defender, com base em sua própria trajetória, que para vencer no futebol é preciso ter habilidade e argúcia, e que, sem isso, o Bahia não teria conseguido fazer frente à hegemonia de clubes como o Ypiranga e o próprio Vitória na Federação Bahiana.
Na verdade, falta aos torcedores do Vitória se olharem com franqueza no espelho e se lembrarem que foi um célebre ex-presidente do próprio clube que já admitiu orgulhosamente ter comprado jogadores adversários, comprado árbitro, comprado desembargador, fraudado exame antidoping e ganhado Campeonato Baiano no grito[29][30][31][32].
Ademais, no presente século de domínio absoluto do rubro-negro Ednaldo Rodrigues e família na FBF, tem sido o Vitória o clube beneficiado pela arbitragem. Os Campeonatos Baianos de 2008, 2016 e 2024, com erros decisivos de arbitragem que beneficiaram o Vitória em detrimento do Bahia, são exemplos que ilustram bem minha afirmação. Talvez tenha nos faltado e continue nos faltando dirigentes como Osório para lidar adequadamente com esse cenário.
TERRAPLANISMO 13: “O Vitória nunca se vendeu.”
A VERDADE:
Desde que o Bahia se tornou SAF e o fosso que separa o Bahia do Vitória aumentou, tornando-se quase intransponível, os rubro-negros passaram a invocar uma suposta superioridade moral, pois, dizem eles, “diferentemente do Bahia, o Vitória nunca se vendeu”.
Confesso que seria até um discurso comovente, se não fosse simplesmente uma mentira. Aqui também há um problema de falta de espelho, pois o Vitória não apenas já se vendeu, como o fez em algumas oportunidades.
A primeira delas foi em 1997, quando o Vitória vendeu seu próprio nome fantasia para o Banco Excel Econômico, passando a se chamar Vitória-Excel[33]. Ao Corinthians, patrocinado pela mesma empresa na época, também foi oferecida a mudança de nome fantasia para Corinthians-Excel, proposta prontamente negada pelo alvinegro paulista: “Estamos entrando numa nova era, mas tradição é tradição”, disse o presidente Alberto Dualib[34].
Em 2000, o Vitória foi além e vendeu o controle acionário do clube para o Exxel Group (empresa argentina sem qualquer relação com o Excel Econômico, apesar do nome semelhante)[35]. A lua de mel com os proprietários argentinos durou pouco, pois, menos de dois anos depois de celebrada a venda do Vitória, eclodiu uma mega crise econômica no país vizinho que inviabilizou a continuidade dos investimentos do grupo argentino no clube. Em 2004, o Vitória chegou a um acordo para a recompra parcelada das ações do Exxel Group, quitando a dívida e encerrando a sociedade apenas em 2010, uma década após a malfadada venda[36].
Mais recentemente, no final de 2023, o Vitória realizou uma consulta junto aos seus sócios acerca da proposta de vender o nome do clube para um site de acompanhantes (passaria a se chamar Fatal Model Vitória)[37]. A proposta foi recusada pela maioria dos sócios, mas outra proposta, a de vender o nome do estádio para a mesma empresa – passando a se chamar Arena Fatal Model Barradão –, foi aprovada por mais de 73% dos que foram às urnas[38]. Contudo, o negócio não se concretizou porque o site de acompanhantes desistiu[39].
Os fatos acima elencados já seriam mais que suficientes para demonstrar quão falso é o moralismo rubro-negro, uma vez que demonstram que o Vitória nunca hesitou em se vender nem em vender seus próprios símbolos.
Mas há outro fato revelador da hipocrisia dos torcedores do Vitória: na verdade, eles estão ávidos para vender o clube, só não acharam quem queira comprá-lo.
Pesquisa da AtlasIntel em 2025 revelou que 66,4% dos torcedores do Vitória querem que o clube se transforme em SAF, enquanto apenas 17,8% se disseram contra[40]. Um grupo de torcedores do Vitória se movimentou para oferecer o clube ao Qatar Sports Investments (dono do PSG) e o presidente rubro-negro Fabio Mota contratou um escritório para prospectar investidores[41]. Até o momento, tudo em vão.
Portanto, o falso moralismo dissimula a inveja que eles têm do Bahia, por ter se tornado SAF atraindo um grande investidor e subido de patamar no futebol brasileiro, o que o Vitória não conseguiu. É o velho “quem desdenha quer comprar” (ou seria “quem desdenha quer se vender”?).
TERRAPLANISMO 14: “O Bahia não disputou a Libertadores, mas sim a Pré-Libertadores.”
A VERDADE:
Bastou o Bahia garantir sua volta à máxima competição continental em 2024 para os torcedores do Vitória logo iniciarem os esforços para desqualificar o feito tricolor, dizendo que o Bahia se classificou para a “Pré-Libertadores”, e não para a Libertadores propriamente dita. Como o Bahia avançou à fase de grupos em 2025, o discurso caiu por terra.
Neste ano, o discurso voltou à tona, uma vez que o Bahia foi eliminado nos pênaltis pelo O’Higgins na segunda fase do torneio, não alcançando a fase de grupos.
Ocorre que simplesmente não existe “Pré-Libertadores”. A CONMEBOL, organizadora do torneio, trata indistintamente como Copa Libertadores da América todas as etapas do torneio, desde a primeira fase até a grande final. Tanto é assim que nas placas de publicidade e nos patchs das camisas dos times em todos os jogos anteriores à fase de grupos aparece simplesmente “Copa Libertadores”, não “Pré-Libertadores”. Igualmente, esses jogos são anunciados como jogos da Liberdadores, e não da “Pré”, em todos os canais oficiais da CONMEBOL nas mais diversas plataformas. O regulamento da competição tampouco fala em “Pré-Libertadores” em nenhuma das suas 288 páginas[42].
Se houvesse, de fato, uma “Pré-Libertadores” como algo distinto da Liberdadores, a CONMEBOL deixaria isso evidenciado nas situações mencionadas acima, como faz, por exemplo, nas Eliminatórias para a Copa do Mundo, que são tratadas como Eliminatórias para a Copa do Mundo, e não como a Copa do Mundo propriamente dita.
De onde vem a expressão “Pré-Libertadores”, então? Trata-se tão somente de uma criação da imprensa, que assim se refere informalmente às etapas anteriores à fase de grupos. Mas essa distinção, vale insistir, não é referendada pela CONMEBOL.
Portanto, o Bahia é o único clube nordestino a ter disputado cinco vezes a Copa Libertadores da América e, tudo indica, continuará frequentando-a nos próximos anos.
Já o Vitória segue virgem em participações no torneio, inclusive na fictícia “Pré-Libertadores” que sua torcida tanto gosta de enfatizar, desnudando sua total falta de intimidade com a competição.
TERRAPLANISMO 15: “O Vitória tem torcida, já o Bahia tem público, como o de um teatro.”
A VERDADE:
O insuspeito jornalista rubro-negro Paulo Leandro deixa claro como precisamente o contrário é historicamente verdadeiro, ao afirmar que o Vitória foi concebido como um clube de cavalheiros, um clube educador, e que esse perfil sempre o distinguiu do Bahia, descrito por ele como “muito mais à vontade, alegre, feliz, putanheiro”[43].
Nesse diapasão, era um lugar comum, até ao menos a década de 2000, que rubro-negros se exaltassem como torcida de elite, desdenhando da torcida do Bahia como povão[44]. Outro clichê rubro-negro era tratar as elevadas médias de público nas partidas do Bahia como prova de que a torcida tricolor era irracional, tola, que estava em peso no estádio no jogo seguinte mesmo após perder, enquanto a torcida do Vitória era exigente, seletiva[44], “se o Vitória perde um jogo, ninguém vai na partida seguinte”, se envaideciam. O ex-presidente do Vitória Paulo Carneiro ecoou por décadas essas dicotomias em diversas oportunidades, inclusive recentemente, quando chamou o Bahia de “clube da Baixa dos Sapateiros”, em um gesto de menosprezo ao perfil popular de sua torcida[44][45].
A torcida tricolor, por sua vez, tem uma longa história de orgulho de seu caráter popular e massivo, de sua fidelidade e assiduidade incondicionais, e de que ninguém a vença em vibração, conforme insculpido no próprio hino do Bahia. Por essa razão, tricolores sempre ridicularizaram o tradicional modo de torcer rubro-negro como mais típico de consumidor do que de torcedor, além de eivado de elitismo. “O Vitória não tem torcida, tem testemunhas”, eis um clássico deboche tricolor, em referência à frieza e às baixas médias de público da torcida rubro-negra.
Ocorre que a torcida do Vitória, historicamente fria, resultadista, elitista e pouco assídua, há uns poucos anos passou a frequentar o estádio em maior número, a ser mais calorosa e mais incondicional em seu apoio, bem como a se orgulhar mais de seu lado povão. É natural que rubro-negros celebrem essa mudança de perfil, mas não tem cabimento que a tratem como se estivessem inventando a roda e revolucionando o modo de torcer, quando a torcida do Vitória apenas se aproximou muito tardiamente das características que definem tradicionalmente a torcida do Bahia, ainda longe de igualá-la. E é mais descabido ainda que invistam em uma narrativa que artificialmente inverte os papéis históricos das torcidas, atribuindo falsamente aos tricolores um perfil do qual eram eles que se orgulhavam até pouco tempo atrás.
A torcida do Bahia sempre foi e segue sendo muito maior, assim como invariavelmente teve e segue tendo médias de público bem maiores que as do Vitória. Mais do que isso: segundo aferição do jornal O Globo publicada em dezembro de 2025, a torcida do Bahia é a quinta mais barulhenta do país, enquanto a do Vitória é apenas a décima. O levantamento mostra ainda que: 1) a torcida do Bahia canta com intensidade média de 90,8 dB, contra 85,6 dB da torcida rubro-negra; 2) os tricolores cantam acima de 90 dB em 47,5% do jogo, enquanto a torcida do Vitoria o faz em apenas 15,7% do tempo; 3) o pico de volume da torcida do Bahia também é mais alto, 112,6 dB contra 112,2 dB dos rubro-negros[46][47].
Os rubro-negros atualmente também gostam de afirmar que sua torcida é diferenciada invocando elogios recentes feitos por adversários. Aqui, mais uma vez, a torcida do Vitória está entrando agora em um ônibus no qual a torcida do Bahia sempre esteve sentada na janela. Não existe excepcionalidade alguma no que a torcida do Vitória tem feito, a não ser em comparação com o que ela mesma era antes dessa mudança de perfil recente.
Vejamos, por exemplo, o que diz Walter Casagrande sobre seus tempos de jogador: “O estádio que eu sempre gostei de jogar, mas era encardido pra caramba, era a Fonte Nova, contra o Bahia. Jogar contra o Bahia na Fonte Nova era complicado, cara. A chegada do ônibus, a pressão da torcida, o barulho… Cara, o torcedor do Bahia é fanático, fica em cima, eu achava um campo difícil de se jogar. Por exemplo, eu ia jogar em Recife, no Arruda, contra os times de lá, e era difícil, mas eu não me sentia pressionado. Mineirão, Beira-Rio era difícil, porque a torcida do Colorado também é pesada e tal, mas, pô, você ia de ônibus pra Fonte Nova, você ia olhando a rua de dentro do ônibus e você falava assim com os caras: ‘caraca, isso vai lotar hoje! O bicho vai pegar nesse estádio!’. Era assim o papo no ônibus”[48].
Essa percepção não mudou no presente. Uma pesquisa do UOL, publicada em dezembro de 2024, apontou que a Fonte Nova foi citada por jogadores como um dos estádios brasileiros mais difíceis de se jogar. Nenhum jogador citou o Barradão[48], o que apenas comprova que, enquanto a torcida do Vitória atualmente atrai alguns elogios por ser simpática, a torcida do Bahia segue sendo verdadeiramente temida pelos adversários, como nos tempos de Casagrande.
Todos esses dados desmentem inapelavelmente a deslumbrada narrativa rubro-negra de que o Vitória tem torcida e o Bahia tem público. Nada poderia estar mais longe da realidade.
CONCLUSÃO
Segundo vários filósofos e cientistas sociais contemporâneos, vivemos a Era da Pós-verdade, na qual a realidade objetiva importa menos do que crenças pessoais, por mais absurdas que sejam. Grande parte da torcida do Vitória viu na pós-verdade uma oportunidade de escapar da cruel realidade dos fatos, em vez de aprender a lidar honestamente com ela.
Desse modo, os quinze terraplanismos examinados nesta coluna não constituem episódios isolados, mas manifestações do fenômeno descrito no parágrafo anterior, todos eles convergindo para um mesmo padrão: diante da superioridade histórica do Bahia, nos mais variados aspectos, consolidou-se entre os rubro-negros o hábito de fabricar narrativas destinadas a desqualificar as conquistas tricolores, a distorcer a história e a negar ou forjar fatos. Não estamos, portanto, diante de meras divergências de opinião, mas da substituição deliberada da realidade por mentiras e meias-verdades convenientes.
Cabe a nós, tricolores, e a todos(as) que têm compromisso com a história do futebol e com a verdade, impedir que essas falsificações se normalizem. Com esta coluna, espero ter contribuído para isso.
NOTAS DE RODAPÉ
[1] Ver https://www.ecbahia.com/coluna/nordestao-x-nordestinho-uma-distincao-necessaria/.
[2] Terraplanismo é o nome dado a uma pseudociência que, contra todas as cabais evidências, defende que a Terra não é esférica, mas sim plana. Por extensão, o termo é empregado para todo tipo de ideia absurda e de negação da realidade factual.
[3] Ver Regulamento do Campeonato Brasileiro de 2026 em https://stcbfsiteprdimgbrs.blob.core.windows.net/img-site/cdn/REC_Brasileiro_SA_rie_A_2026_v15_12_2025_final_02692c1077.pdf
[4] Regulamento da Copa do Mundo de 2022: “Se ainda assim as seleções se mantiverem empatadas, um sorteio será realizado pelo Comitê Organizador da Fifa”. Ver https://www.uol.com.br/esporte/futebol/ultimas-noticias/2022/11/10/regulamento-copa-do-mundo-2022-fifa-qatar-desempate-cartoes.htm
[5] A disputa de pênaltis só foi implementada no futebol em 1970.
[6] Como exemplos de decisões por sorteio em grandes competições, em diferentes épocas, podem ser citados:
• a vaga para a Copa do Mundo de 1954 disputada por Espanha e Turquia nas Eliminatórias europeias;
• as quartas de final da Libertadores de 1961 entre Santa Fe e Jorge Wilsterman;
• as quartas de final da Copa dos Campeões da Europa de 1964/1965 entre Liverpool e Köln;
• a semifinal da Eurocopa de 1968 entre Itália e URSS;
• as oitavas de final da Copa dos Campeões da Europa 1969/1970 entre Celtic e Benfica;
• as semifinais da Copa América de 1975 entre Peru e Brasil;
• as semifinais da Copa América de 1983 entre Brasil e Paraguai;
• o segundo e o terceiro lugares do Grupo F da Copa do Mundo de 1990 entre Irlanda e Países Baixos;
• a vaga para as quartas de final da Copa Mercosul de 1999 entre Corinthians e Boca Juniors;
• a vaga para as quartas de final no Grupo D da Copa Africana de 2015 entre Guiné e Mali.
[7] Nos Campeonatos Brasileiros de 1998 e 1999, havia a peculiaridade de que a necessidade do terceiro jogo era afastada apenas se um dos times vencesse as duas primeiras partidas.
[8] Ver “Futebol, Paixão e Catimba” (1973), de Osório Villas Boas, p. 59.
[9] Ver “Futebol, Paixão e Catimba” (1973), de Osório Villas Boas, pp. 25-28.
[10] Ver https://atarde.com.br/esportes/sem-consenso-no-campo-classico-ba-vi-ja-parou-nos-tribunais-81062
[11] Mesmo sem Pelé em dois dos três jogos, os alvinegros praianos conquistariam seu segundo título mundial interclubes em 1963, superando o Milan, o que ratifica quão poderoso era aquele Santos, ainda que desfalcado de sua maior estrela.
[12] Vale pontuar que antes, nas semifinais, o Bahia já havia eliminado o poderoso Vasco, que tinha, entre seus astros, Bellini e Brito, campeões mundiais em 1958/1962 e 1970, respectivamente.
[13] Ver https://www.palmeiras.com.br/lightbox_galeria/campeonato-brasileiro-1960/
[14] Ver https://www.palmeiras.com.br/lightbox_galeria/campeonato-brasileiro-1967-taca-brasil/
[15] Ver https://www.santosfc.com.br/santos-primeiro-e-unico-pentacampeao-brasileiro/
[16] Ver https://www.cruzeiro.com.br/conquistas/masculino/1966-Ta%C3%A7a%20Brasil
[17] Ver https://www.botafogo.com.br/noticias/tu-s-o-glorioso-15
[22] Ver https://www.youtube.com/watch?v=o9OQFmQiYQc&pp=iggCQAE%3D (a partir de 3:24).
[23] Ver https://www.tiktok.com/@cnnesportes/video/7324795265188187397
[30] Ver https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/memoria-futebol-clube/cartola-atletico-suborno-paulo-carneiro/
[33] Ver https://www1.folha.uol.com.br/fsp/1997/3/01/esporte/35.html
[34] Ver https://www1.folha.uol.com.br/fsp/1997/1/15/esporte/1.html
[35] https://www1.folha.uol.com.br/fol/esp/ult15022000195.htm
[36] Ver https://arenarubronegra.com/entenda-os-processos-judiciais-envolvendo-paulo-carneiro-e-o-vitoria/
[42] Ver https://cdn.conmebol.com/wp-content/uploads/2025/12/CL-2026-Manual-de-Clubes-POR-Jun.pdf
[43] Ver https://x.com/RicardoECB/status/1648432544000659456?s=20




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