é goleada tricolor na internet
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Publicada em 3 de outubro de 2026 às 16:26 por Djalma Gomes

Djalma Gomes

No Olho do Furacão






A incapacidade de os clubes brasileiros buscarem parceiros na diversidade empresarial das multinacionais, como cervejarias, informática, aplicativos, linha automotiva, varejo, mercado financeiro etc. etc., fez a maioria dos clubes do futebol brasileiro entrar numa aspiral de um momento para outro com a sensação de estar no olho do furacão. Foi uma canetada que mais pareceu um raio varrendo um pasto inteiro cheio de vacas leiteiras. 

Foi do all-in para all-out – todos dentro, todos fora –, e as Bets já não mais fazem parte do futebol brasileiro. As contas agora dificilmente fecharão e as dívidas se tornarão as certezas de um amanhã tormentoso. O fim das Bets abre uma cratera bilionária e profunda no futebol do Brasil. Esse futebol que viveu três anos o ciclo mais lucrativo da sua história, viverá a partir de 6 de outubro a sua ressaca mais difícil para curar – exceto se as liminares entrarem em ação, o que mesmo assim não garante nenhuma estabilidade.   

A Medida Provisória assinada no dia 25 pelo governo federal proíbe de vez a operação e a publicidade de aposta de quotas fixa no país.  Não é só regulação, é banimento. Novos aportes já estão vetados e todos os contratos em vigor têm até 5 de outubro para serem encerrados – sites e aplicativos saem do ar nessa terça feira 6 de outubro. A conta é simples e assustadora. Em 2026, 14 dos 20 clubes da Série A estampam na camisa uma casa de aposta como patrocinadora master.  

Em 2025 as Bets aportaram em publicidade só em patrocínio de camisa desses 14 clubes, o valor de 1.03 bilhão. Neste ano esses valores já atingiram até aqui 910 milhões. Como nos mostra os números, há uma crescente nos valores pagos aos clubes que apavora a sociedade pelo comprometimento da saúde mental estimulado pelo vício, tanto que o governo trata o caso como Saúde Pública.  

Para alguns clubes a Bet era mais da metade da receita comercial. Só para citar um exemplo, o Santos assinou em fevereiro com a Novi Bet R$ 35 milhões fixos por ano até 2029 com projeção de chegar a 85 milhões com variáveis – acrescento ainda o Corinthians, 150 milhões, contrato anual.   

E agora, como suprir? Boa pergunta! Não haverá substituto um por um. Nenhum setor tem a mesma disposição para pagar 100 milhões por uma camisa. Entretanto, o Flamengo que tem – ou tinha – 220 milhões por ano da Betano, dificilmente achará outro parceiro no mercado interno, e nesse caso, terá de otimizar seu marketing para buscar patrocinadores fora do Brasil.  

A saída poderá ser em quatro frentes: 1. o modelo da Premier Ligue – A Inglaterra enfrentou o mesmo problema. A partir desta temporada 2026/27, os clubes ingleses retiraram Bets da frente da camisa por acordo coletivo de 2023 e migraram para tecnologia; inteligência artificial; finanças; e turismo – esse é o espelho mais citado por agencias de marketing esportivo no Brasil. 

2. Fatiar para multiplicar. Em vez de um master gigante, poderia voltar a ter cinco ou seis patrocínios médios na camisa -– esteticamente é feio, mas é uma alternativa. Vendo por esse prisma: o varejo, bancos, companhias aéreas e fintechs voltam a ser alvos indiscutíveis. É menos dinheiro por marca, mas dilui o risco -– caso típico de não colocar todos os ovos num único cesto. 

3. Receita própria e SAF. Venda de produtos, sócio torcedor premium, internacionalização de marca, e a indispensável transformação em SAF para atrair investidor estrangeiro. Ou isso, ou esperar pelo algoz de agora, o governo federal, que chegou a discutir uma linha de crédito de até 20 bilhões para troca de dívidas dos clubes via BNDES, mas o banco negou oficialmente o plano, por enquanto.  

4. Mídia e dados. Com a saída das Bets os clubes ganham mais liberdade para negociar seus próprios direitos de transmissão via Libra, LFU e para explorar dados e apostas internas de engajamento – fantasy super app site de IA – sem depender de casa de aposta. Não há muitas alternativas, exceto profissionalizar com qualidade seu marketing investindo em tecnologia e mão de obra sem nenhum vestígio de amadorismo e se lançar ao mercado internacional.  

Assim procede a NFL – National Football League – que é a principal liga profissional do mundo de futebol americano. É só o leitor pesquisar e ver quantas grandes marcas fecharam contrato com a LNF para a temporada 2026/2027. Verá empresas como Apple, Microsoft, Budwaiser, AWS, Fedex e as brasileiras XP e Perdigão.  

O futebol brasileiro precisa aprender a fazer gestões melhores com as armas que dispõe. A Era do dinheiro fácil acabou. O futebol deste país terá que fazer o que não fez por 20 anos: aprender a se gerir como empresa de verdade. Por enquanto são14 clubes desesperados atrás de um novo master nos próximos 10 dias. O mercado de patrocínio vai desvalorizar porque no contexto atual o vendedor está de pires na mão se oferecendo ao comprador. 

O Bahia de uma nova Era, que não tem Bet na camisa, não precisa rasgar contrato chorando, produzir uniforme novo em 10 dias e nem devolver dinheiro proporcional. Seu fluxo de caixa segue intacto para outubro. Outros 5 clubes que também não têm Bets nas camisas, na hora de cada um negociar com bancos, empresas de tecnologia, aéreas e varejo – que exigem compliance rigoroso –, entram como marca low risk – baixo risco – porque é muito mais fácil um Itaú, Mercado Livre, empresa de aviação etc., fechar agora com quem não teve Bet na camisa – o mercado elitizado de trabalho não combina bem com cassinos.    

Deixo aqui no encerramento desta coluna uma boa reflexão para torcedores e, especialmente, para dirigentes de clubes: Enquanto a maioria apostou na aposta, poucos apostaram na gestão. Logo, logo, a partir do dia 6 próximo, vamos descobrir quem estava jogando o jogo certo.  

  

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